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04/07/2012 05h49 - Atualizado em 04/07/2012 05h52
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Polícia realizou ontem reconstituição do assassinato do jornalista Décio Sá

A Reconstituição realizada ontem em São Luis demorou mais de 4 horas.VEJA OS DETALHES


O ESTADO DO MA
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A Reconstituição realizada ontem em São Luis demorou mais de 4 horas

Depois de muita expectativa, a Secretaria de Segurança Pública fez ontem a reconstituição do assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá, morto aos 42 anos, com seis tiros de pistola calibre ponto 40, no fim da noite do dia 23 de abril, no Bar Estrela do Mar, na Avenida Litorânea. O procedimento foi coordenado pela Polícia Civil, e aconteceu em duas etapas, com a presença do próprio executor confesso do crime, o pistoleiro paraense Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos.

A primeira delas foi feita na porta do Sistema Mirante, localizado à Avenida Ana Jansen, onde o assassino espreitou o jornalista maranhense, ainda durante a tarde, em companhia de um cúmplice, que pilotava a moto Honda Fan 150 vermelha (NNH-7680). O veículo foi apreendido no dia 5 de junho, data em que o matador foi preso, portanto 10 kg de crack; uma pistola ponto 40; e uma escopeta calibre 12, em uma chácara no bairro Miritiua.

Os trabalhos para registrar a versão simulada dos fatos começaram, por volta das 16h, quando um forte aparato de segurança, formado por cerca de 70 policiais civis, militares e do Grupo Tático Aéreo (GTA) isolaram as duas vias enfrente ao prédio onde Décio Sá trabalhava como repórter da editoria de Política de O Estado. Na primeira fase, uma equipe de nove peritos se dividiu nas missões de fotografar, filmar e elaborar croquis (desenhos) de cada passo dado pelo assassino paraense.

Jhonatan de Sousa Silva chegou escoltado por pelo menos dez viaturas, a maioria delas da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), onde ficou estabelecida a comissão investigadora que desbaratou a rede de agiotagem que financiou a morte do blogueiro por R$ 100 mil. Algemado, usando colete à prova de balas, vestindo bermuda, e calçando chinelos, o assassino contou (com sorriso no rosto) aos peritos, como se informou sobre o jornalista com um flanelinha.

Horário - Natural de Xinguara-PA, o pistoleiro, conforme foi mostrado na reconstituição, pilotava sozinho a moto do crime e, após se informar sobre os horários de chegada e saída da vítima de seu local de trabalho, foi até a praia da Ponta d'Areia. "Em um dos quiosques da praia, Jhonatan se encontrou com Diego, que já o aguardava sentado ao lado de um veículo Corsa Classic prata. Ali eles tomaram água de coco, e resolveram ir para o bairro Araçagi", explicou o delegado Guilherme Sousa Filho.

Diego, que segundo as investigações foi o homem que pilotava a moto, na noite do crime, e Jhonatan Silva trocaram de veículos, e os levaram para um sítio localizado à Rua 6, no Residencial Verde Mar (Araçagi), de propriedade do empresário do ramo de bebidas, José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, de 38 anos, um dos principais agenciadores da morte de Décio Sá. No endereço, a dupla permaneceu até por volta das 20h30, quando decidiram voltar para a Ponta d'Areia.

A equipe de peritos, acompanhada de um comboio de viaturas, registrou toda a seqüência do trajeto. Um dos principais personagens do procedimento da polícia, porém, não era policial, mas representante do Ministério Público (MP) estadual, o promotor de Justiça Marco Aurélio Rodrigues, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). "As instituições estão organizadas. A versão do assassino é um das peças importantes para fechar este ciclo", explicou.

Noite - Logo que anoiteceu os trabalhos do Instituto de Criminalística (Icrim) seguiram de volta, na porta do Sistema Mirante. Dois investigadores interpretaram os passos de Décio Sá, e do cúmplice do assassino. De volta à Avenida Ana Jansen, Jhonatan Silva foi posicionado em frente à loja Coco Verde, a poucos metros da rotatória do bairro São Francisco. O piloto da moto, por sua vez, o aguardava do outro lado da via, na calçada do prédio da antiga empresa Pneuaço Pirelli.

O subdelegado-geral de Polícia Civil, Marcos Affonso Júnior, contou no momento que o assassino esperou que Décio Sá fizesse o retorno para saber em qual direção a vítima seguiria. "Quando contornou e dirigiu o seu carro rumo à Lagoa da Jansen, Décio Sá foi seguido ela dupla até próximo do mesmo quiosque de água de coco, onde os executores haviam parado anteriormente. Naquele ponto, eles tiveram a primeira oportunidade de matar a vítima", contou o chefe da comissão investigadora.

De acordo com os registros da perita Anne Kelly Veiga, supervisionada pelo próprio diretor do Icrim, Carlos Henrique Roxo de Abreu, Jhonatan Silva e Diego pararam em um sinal, ao lado do automóvel de Décio Sá, um veículo Fox prata (NNA-7101), e só não executaram o jornalista ali, porque avistaram uma viatura da PM, na esquina que dá acesso à Lagoa. "Eles decidiram esperar um pouco mais, e continuaram seguindo Décio até a bifurcação que dá acesso à Litorânea", completou o subdelegado-geral.

No trecho indicado pelo chefe da comissão investigadora, os bandidos perderam o blogueiro de vista. Enquanto Décio Sá dirigia rumo à orla, Jhonatan e Diego seguiram até a rotatória próxima ao Shopping do Automóvel, e lá resolveram descer para a Avenida Litorânea. De posse de uma foto, tirada do próprio blog da vítima, e das placas anotadas, após confirmação do flanelinha na porta do Sistema Mirante, o matador avistou o veículo do jornalista estacionado enfrente ao Bar Estrela do Mar.

Execução - Continuando cercado pelo forte aparato policial, Jhonatan de Sousa Silva desceu de uma das viaturas do Grupo de Resposta Tática (GRT) da Seic e prosseguiu com a reconstituição. O estabelecimento foi isolado, e a imprensa local precisou manter distância da cena do crime. Tranqüilo e com um sorriso às vezes à mostra, o pistoleiro paraense subiu na garupa da moto, enfrente ao bar, e depois desceu. Enquanto o cúmplice fazia o retorno, ele adentrou o ponto comercial e executou o blogueiro.

A parte da simulação dos fatos em que o assassino mostra como matou Décio Sá foi uma das mais importantes para a polícia judiciária. Com detalhes Jhonatan Silva contou que sacou a arma e, a uma distância média de três metros, chegou a correr em direção à vítima, ação que teria assustado o jornalista. Com frieza, o pistoleiro afirmou que a vítima falou com ele antes de morrer, e percebeu que seria executado naquele momento. "Ele disse: 'Opa! Opa!, que é isso rapaz, que é isso?', disse o assassino.

Depois de atingir Décio Sá com seis tiros de pistola calibre ponto 40, três na cabeça, e quatro nas costas, próximo à região dorsal, Jhonatan de Sousa Silva deixou o bar, atravessou a avenida, e subiu na garupa da moto. O início da fuga do matador de aluguel foi acompanhado por dezenas de curiosos, e clientes que, antes da chegada da polícia ao local, já consumia e se divertia no estabelecimento, onde o jornalista foi morto. A dupla seguiu junta até a barreira eletrônica, onde se dividiu.

"Na fuga, os bandidos passaram por uma viatura da PM que se deslocava no sentido contrário e, pelo retrovisor, perceberam que a guarnição fazia o retorno. Receosos de serem abordados adiante, os executores resolveram se separar. Jhonatan subiu a duna, deixando para trás os chinelos, o capacete, uma camiseta preta com a inscrição 'Bad Boy', e mais o carregador da pistola, que trocou porque se preparou para um possível confronto com a polícia", disse o delegado Roberto Larrat.

Curiosos acompanharam trabalho da Polícia Civil

Muitas pessoas compareceram à entrada da sede do Sistema Mirante, no bairro São Francisco, para acompanhar a reconstituição do assassinato do jornalista de O Estado e blogueiro Décio Sá. Todos queriam ouvir, na íntegra, as declarações de Jhonatan de Sousa Silva, assassino confesso, de como praticou o crime. Algumas pessoas utilizaram celulares com câmeras para registrar cada etapa da reconstituição.

Diante de tantos curiosos, a Polícia Civil contou com grande efetivo para controlar o público, que pela primeira vez ficou tão próximo do assassino do jornalista. Por essa razão, os policiais decidiram utilizar cordões de isolamento. Algumas ruas adjacentes ao local foram bloqueadas, impedindo a passagem de veículos, o que facilitou o trabalho da polícia.

Na Avenida Litorânea, na saída do restaurante Estrela do Mar, foi utilizado procedimento semelhante para restringir o acesso de pessoas que pudessem atrapalhar o andamento dos trabalhos da polícia. O mesmo foi feito durante a etapa da reconstituição nas dunas da Avenida Litorânea. Não houve qualquer manifestação popular contra o assassino de Décio Sá. Nenhum integrante da família do jornalista esteve presente à reconstituição.

Entenda o Caso

O blogueiro e jornalista da editoria de Política de O Estado, Décio Sá, foi assassinado na noite do dia 23 de abril em um bar na Avenida Litorânea, em São Luís. Ele foi atingido com cinco tiros à "queima roupa" disparados de uma pistola ponto 40, empunhada por Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos. Após o crime, o executor fugiu em uma moto com o cúmplice que o aguardava do lado de fora do bar. Na mesma noite, uma força-tarefa com integrantes da Delegacia de Homicídios e da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), iniciou o trabalho de investigação.

Na madrugada do dia 13 de junho, a Polícia Civil conseguiu prender em São Luís grande parte da rede criminosa que planejou e executou a morte do jornalista Décio Sá. Seis pessoas tiveram prisão decretada pela Justiça, entre empresários agiotas, agenciadores, um oficial da Polícia Militar e o próprio executor do crime, o paraense Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos, que já havia sido preso no dia 5, como traficante de drogas, no município de São José de Ribamar.

Além de Jhonatan de Sousa Silva, os presos foram os empresários agiotas Gláucio Alencar Pontes Carvalho, de 34 anos, que atua na distribuição de merenda escolar; e o pai dele, José de Alencar Miranda Carvalho, de 72 anos, que contrataram por R$ 100 mil a morte do jornalista, o capitão Fábio Aurélio Saraiva Silva, subcomandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, suspeito de fornecer a arma que executou o jornalista; Fábio Aurélio do Lago e Silva, de 32 anos, o Buchecha, suspeito de participar do crime e teria conhecimento das ações do grupo; José Raimundo Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, de 38 anos, suspeito de intermediar as ações do crime, e Airton Martins Monroe, de 24 anos, suspeito de ter apresentado o executor do crime a Bolinha.

Três pessoas que tiveram participação no crime ainda estão sendo procuradas.

Saiba mais

Jhonatan de Sousa Silva, em seu depoimento e durante a reconstituição, contou que após atravessar a duna, chegou ao Clube do Jipe, localizado atrás da igreja do bairro Calhau. De lá, ele afirma ter caminhado a pé até o elevado do bairro Cohama, onde pegou um táxi até a chácara localizada no bairro Miritiua, município de São José de Ribamar, onde foi preso dias antes da Operação Detonando, ação policial que identificou e localizou os mandantes e intermediadores da morte de Décio Sá.

 

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